Disfunções da ejaculação masculina podem ter causas psicológicas ou orgânicas

29 de Março de 2017

Anejaculação, ejaculação precoce, retrógrada ou retardada têm tratamento

Anejaculação, ejaculação precoce, retrógrada ou retardada são as disfunções mais comuns relacionadas à ejaculação masculina e interferem na vida sexual dos homens, tanto física quanto psicologicamente. Os problemas, que afetam a autoestima, devem ser tratados conforme a orientação de um urologista, mas informar-se sobre o assunto ajuda a dirimir dúvidas e derrubar mitos relacionados à ejaculação, como a perda da virilidade.

A falta de ejaculação, cientificamente chamada de anejeculação, pode ocorrer devido a anormalidades na produção ou estocagem do sêmen, ou ainda a condições que interferem o processo de expulsão. “Alguns homens podem apresentar essa disfunção por questões psicológicas, mas se nunca ejaculou o paciente deve procurar o médico para investigar uma possível causa orgânica”, explica o urologista diretor da Clínica do Homem, Francisco Costa Neto (CREMEB 9264). Embora sejam raras, anomalias congênitas, como ausência de vesículas seminais ou glândula prostática, podem ser responsáveis pelo problema.

Já a ejaculação precoce ganhou importância com a emancipação feminina, que veio acompanhada do desejo de também sentir prazer no ato sexual. “No passado, o sexo estava muito mais relacionado à procriação e priorizava-se o prazer masculino, portanto o que importava era uma boa ereção peniana”, diz Costa Neto.  Contudo, sabemos que o prazer no sexo também é um “direito” feminino, que fica prejudicado com a ejaculação prematura.

“O problema causa enorme desconforto, tanto para os homens como para suas parceiras”, afirma o urologista. O sofrimento psicológico, gerado pelo constrangimento por não satisfazer a companheira, rebaixam a autoestima masculina. “Muitas vezes, trata-se de um problema psicológico, embora o uso de álcool e de alguns medicamentos, entre outros problemas, possam contribuir com esse distúrbio ejaculatório”, esclarece.

Não há um consenso com relação ao tempo precoce da ejaculação, alguns consideram quando a mesma ocorre em até 30 segundos, outros em dois minutos, alguns contam o números de movimentos coitais. A maioria, porém, sugere que se o tempo de interação entre os parceiros foi suficiente para satisfazer os dois, não há razão para grandes preocupações. “Na verdade a ejaculação precoce é teoricamente difícil de ser definida, mas na prática é fácil ser identificada. De qualquer forma, uma visita ao urologista pode identificar a causa do problema para que seja iniciado o tratamento adequado”, alerta o diretor da Clínica do Homem.

Retrógrada e retardada – Durante uma relação sexual, o esperma (sêmen) é lançado pela uretra e daí para fora do corpo. Quando ocorre o inverso, isto é, em vez de sair pela uretra, toma a direção da bexiga, ocorre a ejaculação retrógrada. Normalmente, durante a ejaculação, a bexiga fecha sua “saída” (colo vesical), impedindo que o esperma entre no seu interior e fazendo com que este saia pela uretra e extremidade do pênis.

A incidência de ejaculação retrógrada após cirurgias no colo vesical na infância é de 5 a 15%. Entretanto, o risco é muito maior quando realizada na vida adulta, com cirurgias na próstata. Pacientes diabéticos, por sua vez, podem apresentar o problema, devido a causas neurológicas, bem como portadores de outras doenças, como esclerose múltipla e síndrome de Guillain-Barré.

Também conhecida como ejaculação inibida, “a ejaculação retardada caracteriza-se por um atraso ou incapacidade de conseguir ejacular, mesmo na presença de estimulação sexual adequada, da ereção peniana e do desejo de ejacular. A condição é considerada um problema se provoca angústia significativa para o paciente ou parceira. Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito pelo relato do paciente. “De todas as disfunções sexuais masculinas, esta é a menos compreendida, menos comum e menos estudada”, comenta o médico.

Todas as disfunções ejeculatórias necessitam de investigação médica. “Somente o especialista poderá prescrever exames necessários para indicar as causas e os possíveis tratamentos para esses problemas”, conclui Francisco Costa Neto.

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