Tire suas dúvidas sobre a Vasectomia

13 de fevereiro de 2017

Embora seja uma prática que remonta ao século 19, a vasectomia ainda hoje é envolta em dúvidas e preconceitos. A cirurgia que impede a presença de espermatozoides no sêmen e, portanto, a fertilização da mulher no ato sexual, ainda é visto com desconfiança por uma porcentagem significativa dos homens.  Muitos acreditam, equivocadamente, que ao se submeter ao procedimento, terão seu desempenho sexual afetado. Outros associam a cirurgia à perda da virilidade e da libido. Para melhor esclarecer o tema, reunimos algumas das principais dúvidas que dificultam a popularização da chamada “laqueadura masculina”. Quem responde é O médico urologista/andrologista Dr. Francisco Costa Neto (CREMEB – 9264), diretor da Clínica do Homem.

 

PerguntaQualquer homem pode fazer a vasectomia?

Dr.Francisco Costa Neto – Apenas homens com mais de 25 anos ou com mais de 18 que já tenham dois filhos vivos podem fazer a esterilização, conforme prevê a legislação. Nos casos em que a gestação da parceira pode trazer riscos à vida da mulher, a cirurgia também é permitida.

 

P- Como é feita a cirurgia?

Dr. Francisco Costa Neto – A cirurgia pode ser feita com ou sem bisturi. No primeiro caso, é feito um pequeno corte de aproximadamente 1-2 cm na bolsa escrotal. É feita então a ligadura, corte dos canais deferentes e amarração das pontas. A pele é fechada com um ou dois pontos de fio absorvível. O procedimento dura cerca de 30 minutos.

 

 

P- E no caso da cirurgia sem bisturi…

Dr. Francisco Costa Neto – Na intervenção sem bisturi, faz-se uma punção (penetração através de uma pequena cavidade) com uma pinça especial pontiaguda na pele escrotal anestesiada previamente. Depois, é só dissecar o duto deferente (canal muscular que conduz os espermatozóides a partir do epidídimo, que é o local onde eles são armazenados após serem produzidos nos testículos), que é separado dos vasos sanguíneos, cortado e clipado com clip especial de titânio. Não há necessidade de pontos cirúrgicos.

 

P- Quais são os riscos de fazer a cirurgia?

Dr. Francisco Costa Neto – Infecções, hematomas ou epididimite (inflamação no epidídimo, parte dos testículos de onde saem os canais deferentes) são possíveis efeitos colaterais da cirurgia. Mas não é nada que seja motivo de desespero, porque são complicações raras, se forem adotados todos os cuidados necessários no período pós-cirúrgico. Na pior das hipóteses, pode ocorrer um hematoma.

 

P- O homem fica sem desejo sexual ao ser esterilizado?

Dr.Francisco Costa Neto – Esse é um dos principais mitos relacionados à vasectomia. Felizmente, essa suposta perda da virilidade vem perdendo força, sobretudo porque muitas vezes são outros homens que já fizeram a cirurgia que indicam o procedimento aos amigos. A única mudança que ocorre fisicamente é na composição do que passa a ser liberado na ejaculação.

 

P- A vasectomia afeta o desempenho sexual na cama?

Dr.Francisco Costa Neto – Pelo que ouvimos dos pacientes, acontece exatamente o contrário: o desempenho sexual melhora depois de fazer a esterilização, já que eles passam a fazer sexo sem se preocupar com uma possível gravidez. Estudos médicos realizados também indicam esse comportamento.

 

P- A quantidade de esperma diminui depois da vasectomia?

Dr.Francisco Costa Neto – Os espermatozoides são menos de 5% da composição do sêmen, ou seja, não há mudança perceptível na quantidade de líquido ejaculado. O paciente não vai “gozar menos”.

 

P – Para onde vão os espermatozoides após a cirurgia?

Dr. Francisco Costa Neto – Após a cirurgia, os espermatozoides que são produzidos pelos testículos acabam ficando retidos no epidídimo, pequeno orgão adjacente ao testículo. Não tendo por onde escapar, eles acabam sendo reabsorvidos pelo organismo num processo auto imune.

 

P- É preciso ser internado em hospital para fazer?

Dr.Francisco Costa Neto – Por ser um procedimento relativamente simples, normalmente é realizado na própria clínica do médico, sem necessidade de internação hospitalar.

 

P- Precisa tomar anestesia geral para fazer a cirurgia?

Dr.Francisco Costa Neto – Não. Aplica-se anestesia local com uma pequena agulha, parecida com a utilizada por diabéticos para aplicar insulina, na região cirúrgica. Se o paciente sentir-se desconfortável com isso, existe a opção de anestésicos em spray, com pressão suficiente para que a substância penetre a pele e cause o adormecimento necessário durante o procedimento.

 

P- E os pacientes que têm medo de assistir a cirurgia têm que ficar acordados?

Dr.Francisco Costa Neto – Nesses casos, o paciente poderá ser sedado, ficando inconsciente durante a cirurgia e acordando depois de uma hora.

 

P- Quanto tempo leva para a recuperação do paciente?

Dr.Francisco Costa Neto – O paciente fica liberado para voltar para casa logo depois da cirurgia. No entanto, o repouso de 48 horas é recomendado. Muitos escolhem fazer o procedimento na sexta-feira para passarem o fim de semana em repouso e poderem voltar ao trabalho na segunda.

 

P- O paciente sente dor no pós-operatório?

Dr.Francisco Costa Neto – Nos primeiros dias após a cirurgia, é comum apresentar um desconforto ou dor leve nos testículos. Isso é facilmente controlável com analgésicos, suspensório escrotal e gelo local.

 

P- Fala-se também em dor crônica, mesmo após um bom tempo depois da cirurgia… é verdade?

Dr. Francisco Costa Neto – Felizmente, é uma complicação rara, que ocorre em apenas um a cada mil pacientes. Devido à congestão de espermatozóides no epidídimo, ele pode ficar mais sensível. O tratamento é feito com medicações e cuidados locais.

P- Quando o paciente poderá retornar às suas atividades de rotina?

É recomendado que se tome um analgésico e coloque-se uma bolsa de gelo na região, caso haja dor. Atividades físicas só depois de 10 dias.

 

P- Quando poderá ter relações sexuais?

Dr. Francisco Costa Neto – Após três dias do procedimento o paciente já pode ter atividade sexual, porém deve continuar utilizando um método contraceptivo até a liberação pelo médico, pois são necessárias 20 ejaculações para que haja o esvaziamento completo dos reservatórios seminais e ele se torne Azoospermico.

 

P – E se o homem mudar de ideia, é possível reverter a vasectomia?

Dr.Francisco Costa Neto – Estima-se que 5 a 6% dos pacientes mudam de ideia com o tempo, e optam por reverter a vasectomia. O motivo é na maioria das vezes o mesmo: o fim de um casamento e início de outro relacionamento. Nesses casos, é possível fazer a reversão da vasectomia, porém nem sempre a cirurgia consegue reverter a infertilidade. Por isso, apesar da vasectomia ser reversível, nossa orientação é para que os pacientes só façam a cirurgia se estiverem bem certos de sua decisão.

Postado em Notícias por Carla Santana | Tags: